Thursday, February 11, 2016


Semana 6:

“Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.”

("Homem no mar", Rubem Braga)



Nesta crônica, o autor, Rubem Braga, expressa um sentimento que todos nós já sabemos por ter sentido antes, embora é um sentimento difícil explicar direito: a empatia.  Eu diria que a empatia é o desejo de ajudar alguém que está sofrendo quando não temos jeito de estar lá com eles fisicamente. Também diria que é a vontade que bate na hora de olhar do ônibus para a rua e ver alguém, um desconhecido, correndo atrás.



- Corra! Pensamos, assistindo calado, enquanto torcemos pela pessoa, Corra, que o motorista não vai esperar!



Meu exemplo não é tão inspirador como o exemplo utilizado na crônica por Sor. Braga (é mais engraçado que nada), mas ambos cheguem à mesma conclusão: nossos sentimentos são ligados, até certo ponto, aos sentimentos das pessoas ao nosso redor. Ao assistir o homem que está nadando no mar, o narrador da crônica sente que a “imagem [daquele] homem [lhe] faz bem” por causa da calma energia e a tranquilidade com que ele avança pelo mar. O narrador sente que está fazendo ele bem porque ele está demonstrando características positivas como determinação e calma, e o narrador (pelo menos enquanto ele assiste) consegue sentir traças destas mesmas características em si. Contudo, o exemplo do ônibus prova que a empatia nem sempre é algo beneficial aos observadores, pois, assim como podemos compartilhar os momentos bons, podemos compartilhar também os momentos ruins. Por isto sentimos pena por aquele cara que perdeu seu ônibus.








Thursday, February 4, 2016

Semana 5:

(José Saramago, "O conto da ilha desconhecida," pag. 3)

Embora seja verdade que o homem do barco esperou por três dias que o rei viesse pessoalmente para falar com ele, também é verdade que esperar deitado não é tão difícil. O pedido do homem do barco foi ousado, mas ao mesmo tempo, não foi ele sozinho que finalmente consegui o barco. Como diz no conto, o rei originalmente tinha respondido não” ao pedido do homem do barco. No entanto, na página tres do conto, descreve como “os [outros] aspirantes à porta das petições […]resolveram intervir a favor do homem que queria o barco, começando a gritar, Dá-lhe o barco, dá-lhe o barco [...] Nesse momento, as vizinhas que assistiam das janelas juntaram-se ao coro com entusiasmo, gritando como os outros, Dá-lhe o barco, dá-lhe o barco.” Se não fosse pelas outras pessoas que estavam esperando para falar com o rei, entre outros espectadores, o homem do barco provavelmente não teria conseguido seu barco porque sua abordagem era passiva demais.


Esta situação no conto também demonstra a reação negativa do rei para o ambiente estressante em que ele foi colocado temporariamente pelo homem do barco. O narrador do conto explica que “perante uma tão iniludível manifestação da vontade popular […] o rei levantou a mão direita a impor silêncio e disse, Vou dar-te um barco.” Se ele, como rei, não quis dar um dos seus barcos para o homem do barco, então não era preciso. No entanto, quando o rei foi pressionado por seus súditos, ele cedeu porque foi a coisa mais fácil fazer.

Thursday, January 28, 2016

Semana 4:

“Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco.”
(A chinela turca. Machado de Assis, pag. 9-7)

                        A natureza humana é orgulhosa. A personagem principal neste conto, Duarte, exemplifica este atributo nas suas reações, primeiramente à drama do Major, e também ao seu próprio sonho. Apesar de que o sonho do Duarte e a drama do Major continham o mesmo estilo e alguns dos mesmos padrões literários, Duarte ainda gostou mais de seu sonho porque foi ele que o inventou.

Como o Duarte dormiu e nem ouviu o que faltava do drama, não é possível nem razoável para ele dizer que a peça era ruim. Ainda assim, o Duarte assumiu que foi, e num agradecimento disfarçado à Ninfa, ele se elogiou por ter sonhado um drama melhor que aquele escrito pelo Major enquanto ele estava acordado.

Thursday, January 21, 2016


 Semana 3:    

"Quando tornei ao Rio de Janeiro em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei.  Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido."

(A missa do galo, Machado de Assis, p. 7)

     Neste conto escrito por Machado de Assis, Nogueira, o narrador, afirma ao início do conto que não entendeu a conversação que teve com Conceição a noite de natal muitos anos atrás. Contudo, a evidencia textual mostra que Nogueira não é tão inocente. Nogueira não somente entendeu os avances da Conceição naquela noite, mas também se sentiu atraído a ela.

     Todos nós erramos, e quando acreditamos que fizemos algo indesejável, temos a tendência como seres humanos de tentar esconder o erro. Ainda como Nogueira não aceitou explicitamente as avances da Conceição, ele não as negou e por isto, ele se sentiu culpado. A última cena do conto, quando o Nogueira volta ao Rio e não visita a Conceição, ainda como ele tinha morado com a família dela por algum tempo, mostra que ele ainda se sentia envergonhado pelo que fez-ou que não fez- em relação a ela.

Thursday, January 14, 2016

Semana 2:



    "Assim por uma ironia da sorte, os bens do coronel vinham parar às minhas mãos. Cogitei em recusar a herança. Parecia-me odioso receber um vintém do tal espólio; era pior do que fazer-me esbirro alugado. Pensei nisso três dias, e esbarrava sempre na consideração de que a recusa podia fazer desconfiar alguma cousa. No fim dos três dias, assentei num meio-termo; receberia a herança e dá-la-ia toda, aos bocados e às escondidas...

 Entrando na posse da herança, converti-a em títulos e dinheiro. Eram então passados muitos meses, e a idéia de distribuí-la toda em esmolas e donativos pios não me dominou como da primeira vez; achei mesmo que era afetação. Restringi o plano primitivo: distribuí alguma cousa aos pobres, dei à matriz da vila uns paramentos novos, fiz uma esmola à Santa Casa da Misericórdia, etc.: ao todo trinta e dous contos. Mandei também levantar um túmulo ao coronel, todo de mármore, obra de um napolitano, que aqui esteve até 1866, e foi morrer, creio eu, no Paraguai."

(O enfermeiro, Joaquim Maria Machado de Assis, pages 5,6)





Originalmente Procópio estava com medo de voltar para a casa do coronel e aceitar os bens dele. Ele não somente estava com medo de que alguém soubesse do assassino, mas também sentia que aceitar o dinheiro do coronel seria uma desgraça. Contudo, quando Procópio foi, toda a gente falava mal do coronel e elogiava o Procópio por sua paciencia e dedicação. Apesar de ter defendido o coronel dos criticismos dos otros, ele eventualmente admitiu a si mesmo que o coronel tinha sido um patrão cruel. Isto sendo sua justificação, Procópio acabou por doar somente um poco do dinheiro  para caridades, e ficar com o que restava.

Um homem realmente culpado não teria sido capaz disto. Se Procópio fosse uma pessoa deshonroso, ele teria aceitado o dinheiro e então não teria dado nada para os necesitados. Se ele tivesse matado o coronel de sangue fria, ele com certeza não teria levantado um túmulo ao coronel com o dinheiro que ele deixou. Ao ler o conto pela primeira vez, eu achei Procópio culpado e egoísta, mas se Procópio não fosse um bom enfermeiro, e se o coronel não tivesse gostado dele, ele não teria possuído nada do dinheiro do coronel. Talvez, para Procópio, aceitar o dinheiro não aparecia um desgraço porque esta herança que o coronel deixou para ele foi uma confirmação que ele tinha feito seu melhor para o coronel, e que ele tinha sido perdoado pelo que fez num momento de desespero.


Thursday, January 7, 2016


Livro de citações

Semana 1:

“It is often best to view the artist’s intention not as something the artist consciously wanted to accomplish, but something we construe as we read the text, view the art piece, or watch the performance. This hypothetical intention sums up, from all the evidence of the piece itself, what the piece seems designed to do. It provides a whole in terms of which the parts make sense. Then we needn’t quarrel over what the actual artist wanted.”
(Interpretation is Many Things, David Paxman and Diana Black)

      Esta citação diz que quando examinamos uma obra de arte independente de seu criador, é mais fácil compreender o que ela poderia significar para nós, pessoalmente. Por exemplo, um artigo recente no Huffington Post destaque uma pintora que usa os rabiscos de sua filha de dois anos para criar obras de arte. Embora a maioria dos pais incentivam seus filhos a desenhar e pintar, fixando temporariamente sua arte na geladeira, eles reconhecem que a arte de sua criança provavalmente não tem um significado real. Por outro lado, esta mãe olha para além da intenção original dos desenhos da filha dela para encontrar um significado para ela mesma, e usa este significado para fazer algo novo.
(Para ler o artigo, visite: http://www.huffingtonpost.com/2014/09/09/mom-toddler-painting-collaboration_n_5790110.html)

     Como consumidores de literatura e outras formas de arte, nós muitas vezes ficamos tentando entender a artista. Admirar o seu trabalho não é suficiente- sentimos uma necessidade de entender por que foi feito, e o que o artista estava tentando dizer com essa obra de arte.  No entanto, quando nós nos concentramos apenas na tentativa de compreender as intenções e o plano de fundo do artista, acabamos deixado de lado qualquer significado pessoal sua arte poderia ter para nós.
     Uma obra de arte não pode ser limitado a uma única interpretação ou ponto de vista, pois isto também limitaria o escopo e o significado daquela obra. Como discutimos na aula desta semana, quando reexaminamos os livros e outras obras de arte ao longo de um período de tempo, nossa própria interpretação pessoal da obra muda e notamos elementos na trama ou plano de fundo que não percebemos antes. Geralmente, isto é devido a mudanças em nossa cosmovisão causadas por eventos importantes em nossa vida como o casamento, a morte de familiares e amigos ou até mesmo uma simples mudança de gosto. Acredito que a variedade de interpretações que podem ser encontrados em uma única obra de arte fazem essa arte mais rico e mais influente.