Semana 9:
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
("Autopsicografia," Fernando Pessoa)
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Eu acho muito interesante este poema escrito por Fernando Pessoa porque ele é um poeta, e neste poema ele define o quê é um poeta. É como se fosse um analise de sua própria psique. Embora sua dor é real, Pessoa reconhece o fato de que é quase impossível descrever a maioria dos sentimentos profundos, e explica que, por isto, a dor que ele sente e escreve nos seus poemas é fingida, só por ser escrito. Pessoa compara esta dor que ele sente à dor que ele acredita que as pessoas sentem ao ler sua poesia.
Pessoa emplea algumas figuras de linguagem neste poema, tal
como a elipse e a metáfora. A elipse permite que o autor
omita palavras do poema que podem ser subentendidas. Por exemplo, a frase
"O poeta é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor," tem duas elipses- uma onde omite a palavra "ele" antes do verbo "finge," e outra vez antes do verbo "chega." A metáfora é uma forma original de descrever algo, geralmente usando duas coisas que usualmente não são relacionados. Neste poema, Pessoa compara o coração à um "comboio de corda.
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