Semana 7:
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e
dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que
flameja,
É
ter
garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o
mundo num só grito!
E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
("Ser poeta," Florbela Espanca)
Achei interesante todas as figuras de linguagem que Florbela Espanca usa em seu poema, "Ser poeta," e também como ela as usa para apoiar a idea principal de seu poema: que um poeta tem o poder de sentir e fazer com que outras pessoas sentirem uma variedade enorme de sentimentos. Espanca usa reiteração para enfatizar que o trabalho de um poeta é complicado e multifacetado, y que ao escrever poesia, o poeta sente múltiplas emoções diferentes. Espanca também usa varios hipérboles, como "É ter cá dentro um astro que flameja/É ter garras e asas de condor!" Embora a autora não tem asas, nem tem chamas no seu peito, estas exagerações implicam aos leitores a profundidade de seus sentimentos. O uso de polissíndeto na frase, "É seres alma, e sangue, e vida em mim," mostra a conexão entre as ideas da Espanca, e enfatizan seu significado como a afirmação final da autora de que escrever poesia faz ela sentir mais viva.
Espanca emplea algumas ferramentas de versificação em seu poema, também. Nas primeras duas estrofas, ela usa rimas cruzadas: ABBA, ABBA. Nas segundas duas estrofas, ela usa rimas alternadas: CDC, EDE. A variação da esquema das rimas em seu poema faz o poema mais interesante para os leitores, e ajuda eles prestar atenção às palavras da poeta do começo ao fim do poema. Um outro aspecto do poema que pega a atenção dos leitores é o uso de rimas ricas, como "beija" e "seja," e rimas raras como "cetim" e "mim." O uso destas rimas enriquece a linguagem do poema.
Ao todo, este poema é uma boa demonstração de como ferramentas técnicas de linguagem e versificação não inibem a criatividade dos poetas. Ao contrário, estas ferramentas, quando aplicadas corretamente, podem elevar as ideias do poeta e ajuda-lo a comunicar-se numa forma mais coerente e bella.