Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!..
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!..
("A valsa", Casimiro de Abreu)
O poema, “A valsa”, escrito por
Casimiro de Abreu nos permite olhar através dos olhos do narrador, que está
assistindo a mulher que ele ama como ela dança com outro homem. Embora o poema
nunca explica a natureza do relacionamento entre o narrador e a mulher, a
evidência textual sugere que o narrador e a mulher estão envolvidos
romanticamente, e que a mulher está agindo de uma forma infiel.
O nível de amor que o narrador sente pela mulher é tal que ele sente dor
ao vê-la dançar com outro homem. Embora este desejo do narrador que a mulher
sinta “as dores/de amores” poderia ser interpretado como uma admissão que o
amor do narrador não é retribuído, ele também pode ser entendido como a queixa
de um amante. Pois, se a mulher sentisse o mesmo amor pelo narrador que ele
sente para ela, ela provavelmente não teria traído ele.
Nesta passagem, o narrador enfrenta a mulher, e manda ela que não minta.
O tom acusatório do narrador nesta frase indica não só que a mulher fez algo de
errado, e que ela está tentando esconder seu erro do narrador. Contudo,
esconder sua valsa somente seria necessário se, por dançar com outro homem, a
mulher tivesse sido infiel ao narrador.
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